Você pretende migrar para Linux? Então leia estas considerações.

editado 22 de abril em Dicas e Truques
O mundo Linux é realmente fascinante para quem quer sair do cotidiano e experimentar coisas novas, abraçar novos desafios e tentar mudar o estilo de ver as coisas.

Não vou falar aqui aquela ladainha de software aberto, livre, liberdade e etc pois como sou muito reativo e crítico, algumas pessoas me acham mal educado ou sei lá mais o que.

Então vamos aos pontos que interessam e para isso pergunto ou pergunte para si mesmo e abaixo eu deixo algumas informações que possam ajudar ou não sua decisão.

I- Para que eu uso um computador?

a- Para trabalho. Ex: Faço e edito vídeos/áudios, crio programas, desenvolvo páginas web, uso para interagir com outros equipamentos (PIC, MC, circuitos dedicados, etc), escrevo para mídias, blogs, trabalho com engenharia e uso CAD, BIM, trabalho com edição fotográfica, trabalho com arte de clicherias, trabalho com banco de dados, planilhas de pagamento, advocacia, etc. Se for Etc, escreva num papel.

Muito bem, sendo assim suponho que você tenha um hardware adequado para tal ou seja, com processamento, memória, placa de vídeo e espaço em disco adequados, então leia os itens abaixo para melhor lhe orientar.

1- Procurar na internet por quais programas lhe atenderiam no Linux e que lhe atendam em outro sistema, sem perda de produtividade (estou ignorando a curva de aprendizado, tá?).

2- Em seguida, verifique se estes programas lhe atendem no quesito de formatos digitais a serem salvos nos quais seus clientes trabalham, como por exemplo, WMV, JPG, MP4, DWG, DWT, DWS, CDR, MP3, WMA, MOV, RM, FLV, AIFF, etc. Se não lhe atende, você fatalmente terá problemas de fornecimento, de implementação ou ambos.

3- O passo seguinte seria você instalar uma distribuição Linux numa máquina virtual, instalar estes programas e ver sua adaptação (vamos aqui também ignorar a latência do programa rodando numa máquina virtual). A escolha da distribuição é muito importante pois dependendo de qual escolher, poderá ter mais dificuldade em encontrar fóruns e grupos ou seja, pessoas dispostas e em tempo hábil para solucionar problemas que com certeza você terá, como teria com o MS Windows inclusive.

b- Para entretenimento e uso pessoal. Ex: Uso para internet (mídias sociais, email, youtube, Netflix..), fazer planilhas de gastos, currículos, imposto de renda, ver e editar fotos, áudio e vídeo caseiros, baixar filmes e séries, jogos on line, etc. Se for Etc, escreva num papel.

Neste caso e no qual se encontra a maioria dos usuários, apenas detenha-se no item 3 acima.


Se ambos e mais etc, basta juntar tudo

Outra pergunta, aparentemente não muito importante, mas com viés ideológico seria:

II- Porque eu quero migrar para Linux?


a- Sou adepto da filosofia Linux e quero colaborar para um mundo menos individualista e com maior divulgação de conhecimentos
b- Não quero pagar por programas, mas não quero ser ilegal e usar cópias não autorizadas
c- Sou adepto do software aberto e software livre
d- Quero novos desafios e acho que estou preparado para essa jornada.
e- Quero abandonar o RUINDOLS (alguns linuxers acham o máximo esta "justificativa")
f- Porque a Microsoft tem um plano para consuistar o mundo e nos transformar em zumbis.

III- Quais os desafios (vulgo problemas)que eu posso encontrar pela frente usando Linux?

1- Todos que envolvem um sistema operacional. Sim, você poderá encontrar problemas de incompatibilidade de hardware (drivers), travamentos, bugs, etc.
# Ah, mas eu vejo os usuário de Linux dizendo que o Linux é melhor que MS Windows, que OSX e até melhor que sexo.
E eu com minha experiência de uso aleatório de Linux desde os anos 90 te digo: Estão mentindo!
# Dizem que tem mais jogos para Linux do que para Windows.
Sim, tem. Agora pergunte, quantos desses jogos que existem para Linux existem também para consoles? Isso que tem que prestar atenção. CSgo por exemplo é um bom game na Steam, mas tem mais cheaters num dia do que num servidor Battlefield tem em um mês. Mas este assunto é para um Café com Menta.

2- Então terei problemas em usar minha ultra-mega-blaster placa de video NVidia/Radeon TOP-Extra no Linux?
Pode ser que não, pode ser que sim. E infelizmente neste caso a máquina virtual não irá ajudar.

3- Todos os programas que encontrei de software aberto ou livre não me atendem, mas achei alguns pagos que atendem. Tem problema nisso?
Depende de você e da sua ideologia. Como eu disse, veja se atende a sua produtividade em primeiro lugar. De nada adianta bater no peito defendendo software aberto e passar fome.
Pelo que vi até hoje, softwares pagos de Linux são tão bons quanto os de nomes famosos para MS e Apple e saem bem mais em conta. Por exemplo, o BricsCad que concorre diretamente com o Autocad, é tão bom quanto, sua licença é perpétua (não expira) sai por U$ 826,00 e trabalha com formatos nativos do mercado (DWG e DWT por exemplo), enquanto a assinatura anual do Autocad sai por U$1,575.00. Se eu tivesse aposentado e com dinheiro sobrando, eu pagaria U$ 826,00 para ter um CAD meu e até pensar em dar aulas. Já um Autocad...

4- O que devo fazer então nestes casos?
Tentativa e erro. Basicamente você terá duas distribuições mãe para escolher e outras distribuições derivadas. É isso mesmo que leu. Ou você escolhe uma baseada em RedHat ou baseada em Debian, ambas robustas e maduras. Outras emergentes como Arch por exemplo creio não ser a melhor opção para quem for usar para trabalho, pois pode ter problemas na hora de instalar um programa que só esteja sendo disponibilizado em pacotes RPM ou DEB. Não é desejável isso, mas também não é fácil.
Dentro das derivadas de RedHat temos o OpenSuse e o Fedora. Das Debian temos o Mint e o Ubuntu. Aliás o Mint tem uma derivação do Debian puro e uma baseada no Ubuntu, e ambas têm a fama de ser amigáveis (e eu atesto isso).
Com o Ubuntu tive muitas experiências desagradáveis e com a comunidade também mas pode ter mudado, o que não ocorreu com o Mint.

5- No meu caso de usuário comum que não usará para trabalho, posso testar várias?
Bem, esta pergunta eu nunca faria para outra pessoa, pois quando estou a fim de fazer uma coisa vou lá e faço...rs. Não só pode como deve. Leia sobre algumas delas na https://distrowatch.com/.

6- Preciso saber inglês?
Esta pergunta é bem complexa e eu iria dizer um suástico SIM. Mas como temos os tradutores on line, digo apenas que seria bom que sim. E qual seria o motivo para saber inglês para usar o Linux? Veja bem, não é para usar o Linux mas sim para não ficar amarrado nas comunidades em português e portanto ficar sem respostas. Esta semana mesmo eu tive um problema com o audio de meu fone de orelha e não achei respostas nos foruns nacionais. Bastou eu digitar no buscador "I can't select headphones áudio linux" e apareceram mais de 500 respostas, claro que só algumas eram as que se identificavam com o meu problema, mas é um bom número.

7- Você citou sobre hardware. Devo ter outro HD? Mais memória? O que?
HD: Bem, isso é um pouco pessoal de se definir. Se você tem backup de tudo do seu HD, inclusive aqueles favoritos do navegador (sim, me descabelei certa vez pois resolvi formatar a máquina e só depois lembrei que tinha um monte de favoritos catados na unha que perdi), parta pra ignorância e instale um ao lado do outro. Mas antes, leia muito bem sobre a distribuição que pretende instalar, leia sobre seu hardware (BIOS) e sobre seu sistema atual (Windows/OSX) e saiba de antemão tudo o que precisa fazer para uma instalação organizada e não ter que refazer tudo de novo um pouco mais a frente.

Por exemplo, você sabe o que é partição MBR e GPT? Seu Windows foi instalado como GPT ou MBR? Sabe o que é UEFI? Seu Linux será instalado em MBR ou GPT (EFI)? Sabia que se for instalar o Linux pensando ser modo EFI e seu WIndows estiver no modo MBR um dos dois não irá funcionar ou iniciar direito sem fazer alguns ajustes?

Como disse, se tem tempo, tem espaço e não tem problemas com a possibilidade de ter que formatar ou reinstalar ambos os sistemas, vai de cabeça e aprenda. Se quiser ser mais precavido, tenha um outro HD ou vá usando um Live USB com persistência.

Memória: Vai depender dos programas que for usar. Se forem os de escritório, ver filmes e usar um Gimp, a partir de 2GB de ram já é o suficiente. Se for mais que isso, consulte os requisitos do software que pretende.

Placa de vídeo: Idem acima com atenção aos drivers disponíveis. Há distribuições que são fiéis à ideologia e portanto não aceitam (utilizam) drivers proprietários.

Periféricos: Idem a placa de vídeo. Procure sempre saber sobre como um periférico trabalha sob um Linux (impressora, scanner, câmera, etc) e os aplicativos de retaguarda (de controle e ajustes).

Bem, para começar já está de bom tamanho. Boa sorte, leia, entenda e absorva o que você precisa para não ter dor de cabeça lá na frente. Não acredite em tudo o que ouve ou lê, e seja sempre crítico, por mais chato que o Francis seja em pegar no seu pé ;-).

Abraços e a comunidade Mint Brasil está aqui para ajudar dentro de nossas possibilidades.
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